Rodrigo Neto “Sombras Venéreas”

IV.
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[Vénus]~~~~~
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Astro do amanhecer, do eterno mistério e noite, carroça do além, belas são as nuvens que me derretem os olhos. Belas e não poucas. Nos três dias que te chorei senti-me completo e soube que sobrava e tive pena. Pena de sonhar com o teu oceano sem luar, perdido na neblina vulcânica, um nadinha mais leve e simples como o sol. Pena de saber que tudo é irracional e ritmo e vibração e que tudo é corpo celeste na voragem do tempo, e pena de ter pena de me ter deixado adormecer na tua sombra, e nela não poder ficar dormindo, entre mercúrio e a terra.V. Sombras Venéreas, uma exposição de Rodrigo Neto, trata dos anos de atelier que se seguiram ao surto psicótico que o levou a reencontrar de urgência a sua mortalidade na ala de psiquiatria do hospital da Guarda, cidade onde nasceu, num século cheio de certezas e promessas tão vazias como o universo.I. Venéreo
adj.
def. Relativo a ou de Vénus.