Simão Simões | trash CAN | funcionário

 

A Galeria do Sol vai ser palco para a estreia no Porto de trash CAN, funcionário e Simão Simões, jovens músicos associados à editora lisboeta Rotten \ Fresh

21:30 > Donativo Livre

trash CAN

filosofia do som e o masturbatório do presente. As samples do auto-referencial que vão pouco além da desconfortável reflexão do próprio em momento oportuno. O vírus do som sem virtudes. Copia-se bem. Apresenta novos temas na galeria do Sol continuando a sua última performance na Flur Discos.

https://rottenfresh.bandcamp.com/album/nova-vista-ep
https://flowersonyourshirt.bandcamp.com/album/one-day-who-trash-cam-006

funcionário

projecto a solo de Pedro Tavares (PT) focado primeiramente na expressão da vida quotidiana e de todas as suas facetas, não como uma narrativa contínua mas sim como um aglomerado de sensações – o poder do som como a ponte entre a memória e a imaginação que a interpreta. Como colagens de música, o destaque vai para a profunda endoestesia que pesa ao ouvinte atento: não é o cansaço da labuta, a saudade do que se perde: é a essência que leva a todas as outras sensações. funcionário é a exploração deste âmago profundamente íntimo na sociedade contemporânea de relógios e horários, de turnos e folgas.

De sampling intensivo e exploração melódica digital, a música do projecto remonta para grandes clássicos da experimentação dentro e fora de fronteiras: o etéreo de Plux Quba (Nuno Canavarro), os mais-que-modernos inovadores da musique concrète (como Pierre Schaeffer e Pierre Henry), a nostalgia dos não-esquecidos anos 90 de Boards of Canada. Encontramos neste embrulho de referências um misto de revivalismo daquele que seria o som do futuro para os pioneiros da electroacústica e uma resposta pós-internet aos mesmos. Mais do que reviver, a música de funcionário reinterpreta os sons da vanguarda, transpondo-os para esta nova era de MIDIs e da World Wide Web.

https://funcionario.bandcamp.com/album/aegis-um
https://rottenfresh.bandcamp.com/album/2222

Simão Simões

Simão Simões já se está a tornar num proeminente nome da vanguarda artística lisboeta. O seu inconfundível traço é patente em todos os meios por onde navega: a ilustração, a banda desenhada e, com importante expressão, a música. O seu projecto autónomo conta com um disco editado – strel – e frequentes passagens pelas casas de Lisboa que edificam as novas correntes de música exploratória que a cidade está a ver crescer. Neste fértil terreno, o seu trabalho destaca-se pela candura que dá aos temas que aborda, num plano que cruza a desconstrução e a harmonia: é o choque de Foodman com anime, Laurel Halo com ASMR, IDM em duas dimensões. Pela fronteira do eu material, produto do seu espaço físico e o eu projectado, idealizado, com as suas mais diversas manifestações num mundo virtual, Simão Simões faz valer a sinceridade com que se expressa, oferecendo-nos uma sentimentalidade genuína na intersecção destes dois universos. Será fácil encontrar conceitos interessantes na panóplia que vemos germinar com cada vez mais frequência, mas a autêntica essência da música é, mais do que fazer-nos pensar, levar-nos àquelas emoções que existem no nosso debaixo da mesa e tirar o pano que as cobre, expondo-nos à nossa sensibilidade de uma forma honesta e humana. Simão Simões é isso. O local seguro onde podemos ser e estar, com compreensão e visão, adequado aos temas e percepções de hoje em dia. Cada concerto e principalmente o seu disco strel são um passo em frente na música experimental, que não existe apenas para testar o hodierno mas sim, como todos os verdadeiros artistas o fazem, para oferecer um novo olhar na realidade dos seus ouvintes – terno e contemporâneo.

https://rottenfresh.bandcamp.com/album/strel
https://soundcloud.com/simaosimoes

(textos por Luan Bellussi)