Saulas II – Diana Carvalho, “Colina do Sol”

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Colina do sol começou por ser primeiro um projecto especifico para um livro, que depois não se concretizou.

É um mini projecto, cheio de perguntas ainda.

Vou falar tudo o que sei sobre esta imagem.

Encontrei-a em casa dos meus pais, foi o meu pai que a tirou em 1991,estávamos há um ano naquela casa.

Chamei esta sessão de Colina do Sol pois é este o nome da urbanização em Alfornelos, Amadora, de onde foi tirada esta fotografia.

Aquele pedaço de terra é a Azenhaga dos Besouros, o meu pai não se lembra desde quando ela existe, mas aquele tipo de ocupação, a habitação desorganizada, as barracas, começaram a aparecer em força a partir de 1975, aquando o regresso de muitos portugueses e de angolanos de origem portuguesa a Portugal, os retornados, e depois mais a imigração, sobretudo de Angola.

Aquele grupo de casas como era em 1991 ainda se desenvolveu um pouco mais, ainda cresceu (desta parte não tenho registo). Em 2007 foi tudo demolido, a câmara municipal da Amadora é que se encarregou (aquela parte da Azinhaga já era Amadora) de realojar as pessoas em vários bairros sociais da cidade e deu-se início a um projecto, planeado nos anos 60/70, de uma estrada que a Avenida Conde de Carnide (Lisboa) ao nó da Pontinha. Aquela encosta continua a não ser nada efectivamente, como território. Durante 30 anos, aproximadamente, foi a Azenhaga dos Besouros com barracas, de um lado visto como os subúrbios de Odivelas e do outro como os da Amadora. Um meio território, uma consequência da ideia de cidade. Agora, continua a ser qualquer coisa no meio destas cidades, mas um pedaço de terra que também transformou a Colina do Sol numa espécie de península urbana, cercada de vias rápidas.

Ao encontrar esta imagem de 1991 lembrei-me da que tinha feito em 2012. Foi difícil não estabelecer comparações, a paisagem mudou muito, e começar-me também a aperceber das condições daquela encosta, virada a poente. Muitos daqueles habitantes viviam grande parte da tarde em sombra. Outro aspecto também, a prática de registar locais. Porquê? O que o meu pai fez não foi muito diferente do que eu costumo fazer.