Alves de Sousa, Hitchpop, Susana Chiocca “Porto 1975”

PORTO 1975

Cine-concerto

Realização: ALVES DE SOUSA
Música: HITCHPOP
Performance: SUSANA CHIOCCA

24 de Abril às 21h30
Salão de Festas do CCOP

Duração: 60 minutos

Poster: VON CALHAU

 

A REVOLUÇÃO NÃO É FOTOGÉNICA

A descoberta dos filmes do José Alves de Sousa é uma aventura que ainda nem a meio vai, e que se deve antes de mais ao entusiasmo e à persistência de Francisco Laranjeira. Os filmes que agora se dão a ver, realizados no calor mais intenso da história recente portuguesa, da primavera ao inverno de 1975, foram os primeiros que vimos, e digitalizámos para poder ver e rever e dar a ver. Entretanto mais filmes surgiram e já sabemos que das bobines do Alves de Sousa nascerão mais sessões e encontros. Lá chegaremos. Porquê só agora? Talvez porque a história precisa de tempo para se desvendar, e nós para conseguir olhar para as imagens.

Desde já, os filmes do Alves de Sousa não se passam em Lisboa, nem no Alentejo. Nem ministérios nem ceifeiras. Longe (?) portanto da história da Revolução dos Cravos que ainda hoje sustenta boa parte do discurso político oficial. Mas também não nos contam a outra história da carochinha de que os revolucionários estavam todos “lá em baixo” e no Norte não se passava nada. Estes filmes não contam a História, embora também aqui apareçam os figurões – Soares, Sá-Carneiro, Freitas do Amaral e Eanes no funeral do PREC.

Dão a ver a confusão. A mobilização das pessoas em manifestações onde se juntam mil reivindicações num só percurso. A expectativa nos rostos e nos corpos. A Baixa do Porto fervilhante como hoje só mesmo para ver as iluminações de Natal. O povo saiu à rua. Vezes sem conta. Nestes filmes, Alves de Sousa não explica tudo. Uma página de jornal ajuda a situar as coisas, as faixas dos manifestantes a ler os movimentos da rua… Ou talvez não…

REPUDIAMOS LIBERDADES ENGANADORAS

Nos Aliados, a câmara de Alves de Sousa é solidária e parte do movimento, e com ela partilhamos a dúvida e a inquietação, procuramos ler sentidos. Nessa procura, ainda tudo é possível. Essas imagens, às vezes das costas, outras das caras, podiam um dia vir a fazer parte de um outro filme que se lutava por ainda viver.

Depois do 25 de Novembro, Alves de Sousa dá um passo atrás e, aí sim, interpreta os acontecimentos, constrói a narrativa, e cruzando funerais, prisões e figurões, escreve a sua despedida da revolução. Neste filme, bem diferente dos outros dois, sentimos a força da metáfora e do cinema. A revolução não é fotogénica, mexe-se demasiado para a câmara a fixar. A morte, essa sim, deixa-se enquadrar – aquilo que “já foi” como dizia Barthes. O carro incendiado. A ruína depois do atentado.

Eisenstein filmou Outubro dez anos após a revolução. Em Portugal, logo na madrugada de 25 de abril de 74, houve quem filmasse, e durante o PREC realizaram-se dezenas de filmes. Estes que damos agora a ver não são os melhores, nem os mais eloquentes, mas, como outros, ajudam-nos a pensar esse tempo sem rede, e como poucos a pensá-lo aqui mesmo no Porto.

Amarante Abramovici

 

O 11 DE MARÇO DE 1975
(1975, 5’23’’, super 8, cor)
Sinopse:
A edição especial do JN; a multidão apreensiva junta-se na baixa, agitam-se bandeiras, a manifestação dirige-se para a Praça da República; do viaduto de Gonçalo Cristovão assiste-se ao assalto à sede do CDS; o povo aglomera-se em frente ao quartel da Região Militar.

 

PORTO ABRIL 1975
(1975, 13’, super 8, cor)
Sinopse:
A campanha eleitoral para a Assembleia Constituinte na Baixa do Porto; o povo; os cartazes; os comícios no estádio das Antas e os protagonistas dos vários quadrantes políticos.

 

O 25 DE NOVEMBRO DEPOIS…
(1975, 13’, super 8, cor)
Sinopse:
Confrontos junto à Ponte da Arrábida; a campanha para as eleições presidenciais; comícios e personalidades da cena política; visitas às cadeias de Custóias e Caxias; destroços de ataques bombistas.

Entrada 5€, Sócios CCOP 3€
Lotação da sala: 100 lugares
Reserva e venda de bilhetes na secretaria do CCOP
Seg-Sex 14-17h
T: 22 200 0043
ou ruadosol172@gmail.com

  • Os bilhetes podem ser levantados no CCOP no dia do espectáculo até às 21h15.
  • As portas fecham às 21h45 e desde então não serão permitidas entradas no salão de festas.
  • O evento tem a duração de aproximadamente 60 minutos.
  • Seguir-se-á uma conversa com a participação dos artistas envolvidos neste projecto.

Apoio logístico:
Projecto Catapulta

Co-produção:
Rua do Sol 172 / CCOP / Câmara Municipal do Porto