Bruno Silva “Na Corda Bamba”

imagemweb

Na Corda Bamba

Exposição de Bruno Silva

Inauguração dia 9 de Outubro às 21h30
de 9 a 17 de Outubro

Na corda bamba, um mau título… Foi o que, a princípio, eu pensei. Depois, muito depressa, disse para comigo que assentava bem, como se diz, que se «enquadrava». Lembrei-me daquele momento em que Michel, a personagem de O Acossado («A bout de souffle») lê um jornal a fumar um cigarro diante de um cartaz onde está escrito «viver perigosamente até ao fim!». Nesse plano, há evidentemente alguma coisa que pende para o lado da imagem e depois há Michel com o seu caminhar desenvolto. «Caminhar e pender para a imagem» é, para começar, uma boa maneira de descrever o trabalho de Bruno Silva.

E a desenvoltura? A priori, poder-se-ia imaginar que também há disso. Mas não, estou convencido, pelo contrário, de que há nele muita inquietação, inquietação a ler em dois sentidos: aquele que exprime a faculdade de se interrogar a si mesmo e aquele que manifesta um certo desassossego. Porque as propostas (é esse o nome que eu gostaria de lhes dar) de Bruno Silva parecem vir a lume como as perguntas aparecem, ou seja, com aquela espécie de suspensão e de abertura, mas também em função de uma perspectiva, um ponto de fixação. Por outras palavras e descrevendo uma proposta que aprecio: um conjunto de berlindes é largado acima do solo, eles afastam-se mais ou menos notoriamente do impacto da sua queda simbolizado por um círculo que rodeia o respectivo espaço. Isto é: um sinal visível e fixo que partilha a sua existência com as existências mais aleatórias e discretas dos berlindes e suas trajectórias.

Pronto! Era necessário passar por aí para chegar aqui: para falar da discrição. Pois há discrição neste trabalho, ou antes é a discrição que o trabalha. É uma maneira de se retirar que não é um isolamento, uma presença que se afirma como negativo. Penso que um dos temas principais que agitam as propostas de Bruno Silva é a questão da presença. Essa questão converte-se numa data de formas facilmente localizáveis e identificáveis: o jogo, o enquadramento, o mapa, o limite, o percurso, etc. É essa estranha forma de presença que também confere às propostas os seus contornos poéticos. Sente-se isso facilmente, por exemplo, com o vídeo difundido por um computador portátil que está ele mesmo pousado de maneira inabitual, pois que rodou um quarto em relação ao seu eixo, em cujo ecrã um papagaio de papel parece jogar por o perímetro do enquadramento. À imagem desta proposta, a exposição Na corda bamba narra a história de um equilíbrio, e eu diria mesmo a da sua alegoria.

Martial Déflacieux, Setembro 2015
(Trad. Regina Guimarães)

Sonhei com o teu texto. Estava ali, mesmo que um pouco mais longo. Digamos que acresceu um parágrafo extra, antes e depois da sua queda, do seu término. Não consegui ler o que estava escrito. Aconteceu tudo muito rápido. O texto começou a planar a grande velocidade! Não tinha qualquer controlo sobre a folha que gravitava à minha volta. Por momentos senti vertigens, mas finalmente, percebi que não queria apanhá-la. No fundo queria que ela vivesse assim: em toda a sua leveza.

Resposta do Bruno ao texto de Martial Déflacieux