SALOMÉ E OS DESTINOS IMAGINÁRIOS: Ciclo de cinema

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Salomé quer viver na minha boca
E andam seus lábios de princesa louca
Pedindo aos meus para a deixar entrar.
Excerto do poema de Alfredo Guisado, Reza de São João Degolado (in Ânfora, 1917)

Se antes de bailar, Salomé era casta e inocente, logo após tornou-se símbolo de impureza, de crueldade aliada à sensualidade, ao desejo e provocação feminina. O seu nome vem aliado a um – dos vários – ideais sobre o eterno feminino, talvez o mais sombrio e enigmático. Na linguagem contemporânea encontramos que a expressão femme fatale encerra em si todos estes significados.

A dimensão deste episódio bíblico só mais tarde no tempo volta a ser lembrado, apropriado e revisitado por diversos artistas, primeiro na pintura e na literatura onde Salomé sai do anonimato e é celebrada. O mito regressa ainda mais tarde no teatro, na música, na dança e finalmente no cinema pela personagem em si ou por suas semelhantes em destino ou temperamento. Alla Nazimova, Theda Bara, Loie Fuller, Rita Hayworth deram corpo à bailarina mas é possível identificar outras reencarnações desta personagem ao longo do tempo, figuras femininas envoltas em ficção ou até reais. Podemos por exemplo encontrar descritas em Mata-Hari, na actriz Brigitte Bardot, ou em Marilyn Monroe, repetições dos mesmos atributos de personalidade, de carácter e adjectivos. Elas são contemporâneas de Salomé pois convocam a memória e a imaginação do seu mito.

Neste ciclo de cinema serão apresentadas ainda outras hipóteses sobre a repetição deste imaginário.

Ana Moreira
Porto, Março 2015

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Quartas-feiras de Abril
21:30

1 Suspiria | Dario Argento (1977)
8 Susana | Luis Buñuel (1951)
15 Os Sapatos Vermelhos | Michael Powell (1948)
22 Lilith | Robert Rossen (1964)
29 Dança dos Sete Véus | Ken Russell (1988)

Entrada: contribuição livre

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